Cinema 3D: quais as suas contra-indicações?

Para muitos é difícil relacionar sintomas como dor de cabeça, tontura, náusea, dor nos olhos, na testa, desconforto visual, ardência nos olhos e sensação de cansaço somente à um simples filme, mas esses sintomas podem evoluir para crises de epilepsia ou labirintite, dependendo do caso, mas somente a quem tem alguma pré-disposição, como ser epiléptico, ter labirintite, sofrer de enxaqueca ou ter insuficiência de convergência (movimentação dos olhos para unificar a visão dos dois olhos).

Se o indivíduo for estrábico ou tiver visão alternante não terá sintomas, mas também não conseguirá aproveitar a tecnologia.

"Para ter boa percepção do filme 3D é necessário boa acuidade visual em ambos os olhos, isto é, que o cérebro não se interesse pelas imagens só de um dos olhos, e que haja convergência, ou seja, fusão dessas imagens no cérebro", afirma Osvaldo Travassos, oftalmologista da Sociedade Brasileira de Oftalmologia e professor titular da Universidade Federal da Paraíba.

Em uma sessão em 3D duas imagens são exibidas na tela: é como se uma fosse a do olho esquerdo e, a outra, do direito. Sem os óculos, elas ficam sobrepostas, embaçadas. Os óculos fazem o trabalho dos olhos, de unificá-las, tornando-as nítidas.

Se os músculos reto-mediais, responsáveis por esse movimento dos olhos chamado convergência, não estiverem em plena forma, é possível que o espectador saia com dor de cabeça do cinema, principalmente do Imax, onde a tela é muito maior, bem como a imersão na cena. Esse descompasso se chama desequilíbrio no balanceamento ocular, o que não é nenhuma doença grave e pouco interfere na visão do dia a dia, mas pode complicar as visitas ao cinema.

Quem tem esse pequeno problema corre o risco de sair do cinema com os olhos vermelhos: quando um músculo é muito solicitado, ele demanda mais sangue, irrigando mais os vasos e deixando a região vermelha.

Casos mais graves são os de epilepsia e labirintite. Os mesmos avisos que são dados em simuladores 3-D nos parques deveriam ser obrigatórios para o cinema. "A sensação de movimento pode causar crises de labirintite. E existe um tipo de epilepsia desencadeada pela luz, chamada foto-sensível, que deve manter o epiléptico longe do cinema", afirma o neurologista. Não existem contra-indicações muito rígidas quanto ao cinema 3-D, mas esses dois casos devem ser levados em conta principalmente para quem deseja experimentar as salas Imax – por enquanto só há duas no Brasil, em São Paulo e Curitiba.

"Cabe à produção dos filmes em 3-D não explorar muito os efeitos que levam a estímulos de convergência, bem como a desfocalização de planos que representam imagens à distância, luzes intermitentes, estroboscópicas e imagens que passem muito rápido na frente do espectador", afirma Travassos, sugerindo à indústria cinematográfica mais parcimônia ao usar todas os recursos do 3-D.

 

Alerta:

Epilépticos: O filme 3D explora muito cenas com imagens explodindo e correndo de um lado para outro. Isso pode causar enjôo e, em maior volume, desencadear a epilepsia. É a mesma causa apresentada por cientistas para explicar a ligação de alguns desenhos infantis, junto a luzes estroboscópicas.

Labirintite: a sensação de estar no meio da ação do filme , ou em movimento, pode causar crises da doença.

Enxaqueca: luzes piscantes e muito movimento levam a dores de cabeça intensas e enjôo, principalmente para quem já tem histórico de enxaqueca.

Qualquer problema na visão: se a pessoa não tiver boa visão em um dos olhos, ou nos dois, não poderá assistir ao 3D, cuja tecnologia depende do uso simultâneo (e, portanto, da boa saúde dos dois olhos).

Pessoas que usam lentes de contato ou óculos, devem usá-los durante a sessão de cinema, sob os óculos 3D.